Tecido muscular

Em resultado da corrida espacial verificada durante a guerra fria, ficou demonstrado que o músculo esquelético enfraquece com a ausência de gravidade, um efeito largamente observado durante os voos espaciais. Este facto é facilmente explicável se tivermos em conta que a força da gravidade é a principal fonte de estímulos mecânicos, responsáveis pelo desenvolvimento das estruturas musculares do nosso organismo. Portanto, uma das medidas adoptadas com sucesso para paliar a atrofia muscular, a perda de força e energia muscular e reverter as modificações das fibras que provoca a falta de força gravitacional no organismo foi a Vibração Integral do Corpo.

No entanto, estudando os efeitos da Vibração Integral do Corpo em condições de gravidade, descobriu-se que esta também proporciona benefícios fisiológicos ao tecido muscular esquelético. A alteração por curtos períodos de tempo das condições gravitacionais geradas pela Vibração Integral do Corpo parece ser a razão destes efeitos positivos para o músculo. Os efeitos neuromusculares da Vibração sobre o tecido muscular esquelético e a posterior adaptação deste tecido parecem ser a razão, a nível celular e tissular, dos bons resultados observados em todos os estudos.

Torvinen et al. (Bone Research Group, UKK Institute, Tampere – Finlândia) estudou os efeitos de uma única sessão de 4 minutos de Vibração Integral do Corpo, em relação ao rendimento muscular, sobre um grupo de 16 pessoas saudáveis voluntárias. Os resultados revelaram que, em todos os casos, havia um incremento significativo da força muscular das extremidades inferiores. No entanto, também se constatou que os efeitos da sessão única de 4 minutos desaparecia quando se voltavam a fazer os testes, uma hora depois (Saila Torvinen, Pekka Kannus, Harri Sievänen, Tero A. H. Järvinen, Matti Pasanen, Saija Kontulainen, Teppo L. N. Järvinen, Markku Järvinen, Pekka Oja and Ilkka Vuori, 2002, “Effect of a vibration exposure on muscular performance and body balance. Randomized cross-over study”. Clinical Physiology, Vol. 22, págs. 145-152).

 

Num outro estudo efectuado a longo prazo sobre os efeitos da Vibração Integral do Corpo, este autor submeteu um grupo de 21 mulheres e 31 homens, todos voluntários e saudáveis, com idades compreendidas entre os 19 e os 38 anos a 3 ou 5 sessões semanais de 4 minutos durante 4 meses. Os resultados revelaram um aumento de 8,5% da altura de salto e quase 4% da potência muscular dos músculos das pernas (Saila Torvinen, Pekka Kannus, Harri Sievänen, Tero A. H. Järvinen, Matti Pasanen, Saija Kontulainen, Teppo L. N. Järvinen, Markku Järvinen, Pekka Oja and Ilkka Vuori, 2002 “Effect of four-month vertical whole body vibration on performance and balance". Medicine&Science in Sport Exercise; Official Journal of the American College of Sports Medicine, págs. 1523-1528).

Bosco et al. (Universidade de Roma) realizou diferentes estudos sobre os efeitos da Vibração Integral do Corpo em relação à força muscular. Em 1998 comparou a capacidade de potência e resistência de salto entre um grupo de desportistas voluntários que praticavam andebol e Pólo Aquático regularmente depois de lhes aplicar a Vibração Integral do Corpo durante 15 dias. Os resultados revelaram que o grupo que tinha sido submetido à vibração apresentava uma melhoria considerável nas suas características neuromusculares, que se traduziu numa maior potência e resistência de salto (Bosco C., M. Cardinale, R. Colli, J. Tihanyi, S. P. von Duvillard, A. Viru, 1998,  “The influence of Whole Body Vibration on jumping performance”. Biology of Sport, Vol. 15, núm. 3, págs.157-164).

Em 1999, Bosco et al. (Universidade de Roma) também estudou o efeito de uma única sessão de Vibração Integral do Corpo nas capacidades neuromusculares do organismo. Para tal, juntou um grupo de seis jogadoras voluntárias de voleibol e submeteu-as a uma sessão de 10 minutos de exercício vibratório, estudando o efeito da sessão na sua capacidade imediatamente posterior de realizar exercício de pressão com a perna com 70, 90, 110 e 130 quilos. Os resultados obtidos revelaram uma melhoria significativa da velocidade de movimento e da força e energia muscular (Bosco C., R. Colli, E. Introini, M. Cardinale, M. Iacovelli, J. Tihanyi, S. P. von Duvillard, A. Viru, 1999  “Adaptive responses of human skeletal muscle to vibration exposure”. Clinical Physiology, Vol. 19, págs.183-187).

Do mesmo modo, e também em 1999, num estudo muito semelhante ao anterior Bosco et al. (Universidade de Roma), constatou o efeito da vibração em relação à força muscular num grupo de 12 pugilistas da Equipa Italiana de Boxe. Submeteu os voluntários a 5 sessões seguidas de 1 minuto de vibração, com uma pausa de 1 minuto entre cada sessão, para comprovar, após 5 minutos, o efeito que a vibração tinha sobre a potência muscular do antebraço. Os resultados revelaram que os pugilistas aumentaram de um modo estatisticamente significativo a potência muscular do antebraço (Carmelo Bosco, Marco Cardinale, Olga Tsarpela, 1999,  “Influence of vibration on mechanical power and electromiograma activity in human arm flexor muscles”. European Journey of Applied Physiology, 79, págs.306-311).

 

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